22/12/2013

Epifania, Trânsito, Chapéus ridículos e Supermercados

Postado por Amanda Alboino às 00:42 0 comentários

Epifania
Sabe aqueles dias em que tudo está bem, mas de repente algo acontece rapidamente e te faz ficar reflexivo o resto do dia?

Acontece que tinha acabado de sair de um amigo secreto super divertido e resolvi comprar uma água num supermercado. Estava tudo bem, eu estava na fila. A bobina do caixa acabou. Aquelas horas que você para por um instante e pensa logo “pôxa, ô sorte a minha chegar num caixa justo quando a bobina acaba! Vou ter que esperar uns cinco minutos pra ele desenrolar as coisas”, mas como esse pensamento de imediato me pareceu egoísta, parei e esperei pacientemente o moço do caixa fazer o que tinha que fazer e passar as compras da pessoa à minha frente.

Chegou minha vez e tive a brilhante ideia de deixar as moedas que eu ia pagar a garrafa de água na esteira rolante de compras. Resultado: a esteira, que funcionava por meio de um sensor, foi rodando sem parar até que vi, num momento aflito, minhas moedas passarem por baixo da esteira até sabe-onde-lá-iam-parar.
Não que eu seja pão dura, mas o final de ano não está sendo fácil para ninguém, não podia perder três reais assim, sem mais nem menos.

Rapidamente o moço do caixa me advertiu que as moedas provavelmente teriam caído no chão, mas quando me abaixei para pegar percebi que havia uma lata de lixo justo em baixo de onde as moedas haviam caído.

Não pensei muito e enfiei logo minha mão na lata tentando recuperar minhas suadas moedas da bolsa da faculdade. Na lata, havia copos de plástico, restos de embalagens e coisas assim e eu ali catando as moedas no lixo. Só então eu percebi o que estava fazendo. Eu estava agachada procurando moedas numa lata de lixo, e a fila atrás de mim crescendo e observando o que eu estava fazendo. Me senti um pouco envergonhada, talvez pelo valor irrisório que eu estava tentando conseguir de toda forma. Dos três reais, recuperei dois, paguei pela água e saí do supermercado sem olhar para trás.

Trânsito
Comecei a pensar nas coisas que as pessoas fazem por necessidade. Para complementar minha reflexão (nesse momento meu astral já estava baixo), alguém comentou que detestava ver carros no trânsito com apenas uma pessoa dentro. “Por que não pegam ônibus? Ia diminuir o trânsito!”. Isso me deixou irritada pela simplicidade do comentário e pela cadeia de formulações que vieram à minha cabeça imediatamente.

- No Brasil o estímulo de compras de carros é tão grande que a hipocrisia de mobilidade urbana dá nojo.
- Obviamente me lembrei da tentativa do Ministro da Fazenda de retirar a obrigatoriedade de freios ABS e airbags para baratear o preço dos carros e fazer estimular que as pessoas comprem MAIS CARROS. Algo como “tudo bem que continuem os acidentes de trânsito, desde que as pessoas não parem de comprar carros”.
- Além do fator cultural de carro = status, a deficiência de um sistema de transporte que funcione leva muitas pessoas a se sacrificarem em comprar carros e a mantê-los com combustíveis cada vez mais caros.

A raiva, portanto, não deveria ser direcionada às pessoas que tem carro, mas especialmente às empresas de ônibus que estão se lixando para colocar mais ônibus nas ruas, ou ao governo de continuar incentivando a compra de mais e mais carros ou até mesmo da novela em que pegar ônibus “é coisa de pobre”.

Garanto que se esse sistema funcionasse, muitos trocariam os 200 reais por mês em gasolina por 80 reais por mês em transporte público. Óbvio: cada um tem que fazer a sua parte e buscar, sempre que possível, deixar o carro em casa. Políticas de mobilidade, planejamento urbano e campanhas de conscientização também não cairiam mal.

Um professor uma vez me disse: “o problema do trânsito não está em as pessoas comprarem carros, nem muito menos sentir raiva das pessoas que compram, mas em como essas pessoas usam esses carros no dia a dia”. Acho que é por aí mesmo.

Chapéus ridículos 
Há muito tempo, quando estava no Beach Park voltando de um passeio da escola, passamos por uma barraca onde havia funcionários do parque usando chapéus de foca (a clássica foca do Beach Park). Observando os chapéus, um amigo comentou “Nossa, olha só que ridículo aquilo ali, nunca usaria um negócio desses”. Parei por um momento, sem acreditar no que eu ouvira.

Imediatamente respondi “Cara, não acho que essas pessoas usem esse chapéu porque gostem. Se fosse você que precisasse desse emprego, você usaria esse chapéu sem nem pensar duas vezes”. Meu amigo ficou sem graça.

Muitas vezes em meu círculo, costuma-se falar em alcançar o emprego dos sonhos e ser feliz tendo uma vida maravilhosa com a profissão que escolheu e até sentir pena de quem se levanta todos os dias para ir a um trabalho que odeia.

Às vezes, o trabalho que a pessoa odeia pode muito bem ser compensado pelo sorriso do filho ao ver o pai/mãe, voltar pra casa com um saco de pão.

Amo a profissão que escolhi, mas se um dia eu tiver uma família e ver que não estou podendo sustentá-la na minha área de atuação, eu procuraria por outra, sem sombra de dúvidas. Usaria mesmo um chapéu de foca todos os dias se fosse para ver minha família bem. Minha realização pessoal, portanto, se deslocaria da minha carreira, para a minha família.

E, vamos ser sinceros: hoje em dia só em ter um emprego honesto, já é uma grande conquista. Semana passada, fui à manicure e ela me contou que trabalha 7 dias por semana de 8h às 22h, inclusive em feriados para conseguir 1.500 reais por mês. Contou também que o filho sofreu um trauma no crânio e todo o horror que viu no Instituto José Frota para conseguir uma ressonância. A vida é bastante difícil para quem não nasceu na classe média, nem na Aldeota.

Supermercados
Quando eu sinto muita fome, normalmente esqueço das etiquetas sociais. Minha cabeça dói tanto que a única coisa que eu penso é em chegar rapidamente a algum lugar com comida. Mas eu posso comprar comida quando eu tiver fome. E quem não pode?

Alguém já parou pra pensar como os mendigos conseguem entrar em um supermercado para comprar algo pra comer? A resposta é: não entram. Não descalços, não sujos, não com o cheiro de suor e poeira deles. Não deixam.

O ser humano é uma criatura arrogante o suficiente para esquecer que também é um animal. Animais sentem fome. Animais sentem frio. E quando sentem isso, fazem coisas que não imaginamos que fariam: como roubar ou machucar outros da mesma espécie.

Quando tem dinheiro, algumas gastam com algo barato, que engane a fome e as tire por um momento da realidade hostil com elas.

Existem milhões de formas de encarar essas situações. Essas são só algumas delas.

***
Na verdade, eu sou apenas um animal que teve a sorte de escolher meu destino dentre tantos outros que não tiveram. Na verdade, sinto vergonha por ter me envergonhado em catar moedas no lixo.

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11/09/2011

[Opinião] Justiça para os pobres (?)

Postado por Amanda Alboino às 10:05 1 comentários

Amanda Alboino*

As palavras “jovem”, “periferia” e “assassinato” na mesma frase já não causam mais impacto ao leitor. A chamada aparece no jornal como um eterno déjà vu, sem que nos sintamos sensibilizados com a tragédia anunciada. Não a consideramos sequer tragédias, mas mera fatalidade. Tal violência não surpreende nem mais os parentes da vítima, que, muitas das vezes, apenas choram a perda do ente querido já que não acreditam na justiça para os cidadãos pobres e negros deste país.

Quando a justiça é clamada nas ruas, através de passeatas ou alvoroços, e a mídia dá a notícia, a polícia é cobrada para tomar parte do caso, o governador é acusado de não investir na segurança pública e alguém do partido da oposição aproveita para alfinetar os concorrentes políticos. Nos dois meses seguintes, mesmo sem ter sido apurado, o caso é arquivado e etiquetado como acerto de contas com traficantes ou vingança e fica por isso mesmo. Até o dia em que surge uma nova “comoção nacional” para recomeçar o circo da impunidade.

Como bem se expressou Aurilene Vidal, articuladora da Pastoral do Menor, na reportagem “Acerto de contas ou descaso?” (Diário do Nordeste) do último domingo (28): “O que motiva o crime é quase sempre o tráfico, o uso de drogas ou acerto de contas entre adolescentes. Como eles são vistos como um problema, nada mais cômodo que os próprios se destruam. Assim o Estado não precisa investir em ações concretas que possam modificar suas vidas”.  Apesar de preocupante, a declaração de Aurilene não chega ao exagero.

Mas nem só de tráfico vive a violência contra as pessoas de baixa renda. Muitas vezes os Boletins de Ocorrência relatando ameaças de morte por colegas na escola, por parentes ou mesmo denúncias contra algum posto de saúde da região em péssimas condições de atendimento são sumariamente esquecidos dentro de uma gaveta. A falta de apuração dessas denúncias também é um crime. Crime contra o cidadão que paga impostos desde o gás que cozinha o ralo desjejum até a condução que toma todos os dias para sua labuta diária.

Isoladamente, investimentos em segurança pública pouco poderão contribuir para reverter esse quadro. Num mundo onde se nasce e se vive cercado por ignorância, atitudes violentas e preconceito com classe social e cor, as perspectivas de uma pessoa se reduzem a simplesmente matar a fome para continuar vivo. Por isso vemos essas mães que incentivam os filhos a deixarem as escolas para cometer furtos ou, no melhor dos casos, jovens que querem terminar os estudos do ensino fundamental apenas para conseguir um emprego de baixa remuneração.

A descrença em relação ao futuro dessas pessoas já parte do próprio Estado. Tratar um problema social com medidas paliativas e empurrar o problema para o outro mandato demonstra, no mínimo, uma falta de respeito aos direitos do povo. Enquanto esperamos a boa vontade de nossos governantes, a justiça e a educação só sendo efetivas apenas para quem as podem pagar engrossam as estatísticas de marginalizados do país. A nós só resta acompanhar a melodia de Renato Russo: “Que país é esse?”.


*Aluna do 5º Semestre do curso de Jornalismo da disciplina de Impresso II
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10/09/2011

[Zona Otaku] Rede social para fãs da cultura nipônica

Postado por Amanda Alboino às 22:40 0 comentários

Imagine uma rede social que reúna as principais funcionalidades do Facebook, Twitter, Messenger (MSN), de chats, fóruns virtuais e de blogs. Agora, imagine que ela seja voltada especialmente para o público Otaku. Interessante? Pois essa rede existe e foi criada por um brasileiro!

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A rede social OTAKU foi criada para suprir uma necessidade, pois o público que gosta de cultura nipônica se sentia discriminado em outras redes

A rede social OTAKU foi lançada oficialmente em março deste ano, tendo sido projetada em 2008 pelo mineiro Dante Marinho. Segundo ele, a ideia nasceu da necessidade de se ter uma rede direcionada para o mundo Otaku. "Em outras redes sociais, os otakus se sentem discriminados, pois são vistos como crianças", justifica.

O OTAKU já conta com mais de três mil usuários cadastrados e está sempre inovando para oferecer funcionalidades cada vez mais interessantes ao público. Com relação às outras redes sociais, "a vantagem do OTAKU é que no momento em que você se cadastra, já tem acesso a tudo e a todos, sem precisar adicionar as pessoas antes", explica.

Para entender a lógica desse sistema, suponha que assim que efetue o cadastro, você é direcionado para uma grande sala com várias pessoas. De acordo com o que você preferir, é possível falar com todas elas (como num chat) ou fazer amigos e interagir apenas com as pessoas que escolheu como no Facebook ou Orkut. O usuário também pode ter seu próprio álbum de imagens, vídeos e até blogs pessoais adicionados à sua conta da OTAKU.

Dentro da rede foi adicionado o Otaku Game, um tipo de ranking que todos participam e ele mede o grau de interatividade dos usuários. Assim que uma pessoa é cadastrada no sistema, ela recebe uma quantidade de pontos que a qualifica como "Novato". Na medida em que ela desempenha certas atividades no site, como adicionar amigos, criar grupos e atualizar fotos, vai acumulando pontos até "evoluir".

Apesar de ser complexo, Dante Marinho afirma que é só o começo. "Com certeza, hoje o OTAKU é apenas 10% do que ainda será, mas tudo tem seu tempo". Sobre a divulgação do site e possíveis promoções para a rede, ele conta que "existem alguns projetos e parcerias que caminham a curto prazo, outros levarão dois ou três anos". Para conhecer, basta acessar www.otaku.com.br e cadastrar-se ou seguir @otakuportal.

CURIOSIDADES 

Utilização
No site, há uma lista de atividades que rendem pontos aos usuários.

Se o novato atualizar todas as suas informações, fotos e adicionar algumas pessoas, ele já acumula os pontos necessários de "evolução" para se tornar um Chibi.

O atual campeão, classificado como Poring, possui 59 mil pontos.

Assim que um novo usuário entra no OTAKU, todos os outros recebem uma mensagem avisando sobre sua chegada à rede.

É bastante comum ver imagens de personagens de animes sendo utilizados como foto de perfil.

Por: Amanda Alboino
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[Cinema] Criação, adaptação e evolução: A origem do Planeta dos Macacos

Postado por Amanda Alboino às 22:13 0 comentários

O presente era 1963 e o futuro, 3978. Para a maior parte dos produtores de cinema da época, a obra do escritor francês Pierre Boulle, "Le Planèt des Singes", ou "O Planeta dos Macacos" em português, nada mais era do que um provável fracasso de bilheteria que ninguém se atrevia a arriscar.

O livro de Boulle originalmente conta a história de um planeta parecido com a Terra dominada por símios. Os humanos são escravizados e tratados como animais submissos. O protagonista é o jornalista Ulysse Mérou, a bordo de uma espaçonave acompanhando a experiência de dois cientistas com macacos.

Para chegar ao cinema pela primeira vez, o texto sofreu uma série de cortes e adaptações devido à inviabilidade da narrativa de alto custo para as limitadas tecnologias cinematográficas da época. Somente depois de conseguir o apoio de Charlton Heston, ator premiado em "Ben-Hur", foi que o filme engatou de vez.

Produzido pela 20th Century Fox, o roteiro chegou às telonas com mudanças no texto original. O protagonista é George Taylor, um astronauta norte-americano. O planeta em que viviam os símios era a própria Terra, mas as tecnologias ainda eram rudimentares, diferente do livro em que esses macacos viviam em megalópoles como Paris e Nova Iorque.

A grande aposta foi na maquiagem do atores que eram submetidos a seis longas horas de preparação. Esse investimento deu resultado e a verossimilhança com macacos foi muito aplaudida pela crítica.


A maquiagem era muito pesada e por isso alguns atores não conseguiam falar. O áudio foi dublado para compor o filme

O filme foi lançado em 1968, e agradou desde o público leigo até os fãs do gênero ficção-científica. "O Planeta dos Macacos" tornou-se um clássico do cinema e foi o primeiro longa de ficção a ganhar sequência.

Em 2001, o diretor Tim Burton lançou um remake. Dessa vez com mais recursos financeiros e tecnológicos, o público voltou aos cinemas para aplaudir os novos gráficos e maquiagem, ambientação e roteiro. A história do astronauta George Taylor permaneceu em sua essência.

Estreia

O novo longa, "Planeta dos Macacos: A Origem", será lançado dia 26 deste mês e conta como tudo começou: desde as experiências científicas com os símios que se tornam racionais até a revolução deles para subjugar o ser humano.

Dessa vez, os efeitos especiais tiveram mais gastos que caracterização, pois o protagonista, Chimpanzé Caesar, foi criado por computação gráfica usando a tecnologia de "performance capture", a mesma de "Avatar", que capta movimentos e expressões dos atores.

Nos Estados Unidos, a bilheteria dos dez primeiros dias arrecadou 105 milhões de dólares, superando seu orçamento de 93 milhões.
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[Mudanças] Novos assuntos do Menta!

Postado por Amanda Alboino às 20:22 0 comentários

Boa noite a todos!

Fiquei de escrever isto há um tempo mas só tomei coragem agora ^^''
Mil perdões pela minha ausência do blog gentem. Espero que compreendam as milhares de tarefas cotidianas e chatas que tomam nosso tempo. Mas eu prometo mudar isso!

Para quem andou vendo meu blog nas duas últimas semanas deve ter reparado que eu postei mais coisas sobre cultura nipônica e contos. Não é por acaso não. É por que desde o semestre passado eu passei a ser colaboradora, aos sábados, da Seção Zona Otaku, caderno Zoeira, Diário do Nordeste. (ufa)

Depois de ter alguns textos publicados e outros não, eu percebi que era mais do que óbvio que eu poderia postar os textos do jornal aqui no Menta (dããã). Então aos sábados, teremos aqui no blog uma seção dedicada a cultura nipônica e à nerdices.

Quanto aos contos, esses serão esporáticos mesmo, depende da inspiração. Há muito tempo que não escrevo. Geralmente posto meus textos no site Eu Autor até porque lá evita essas coisas de cópia ilegal e blá blá blá. Mas eu confio em vocês ok? *o*

Também devo dizer que postarei aqui os textos que eu elaborar tanto na minha cadeira de Impresso II quanto na Revista Literação da qual eu faço parte. But don't worry, vou selecionar os mais legais pra vocês oks?

Dessa forma espero apresentar no blog uma diversidade boa de conteúdos. Mas pretendo manter a ideia inicial: a de fazer um blog leve e prazeroso =)

Como ainda estou no 5o semestre de jornalismo, com certeza estou aprendendo e por isso os comentários de vocês são muito, muito importantes!

Vamos à nossa mudança de programação!

Segunda: Fotografias/Arte
Terça: Vídeo de animação/ vídeos legais da internet.
Quarta: Desenhos / Tirinhas (de autoria ou de terceiros com os devidos créditos)
Quinta: Música
Sexta: Esse dia é livre posso falar de tudo que não falei nos outros dias ou de nada =D
Sábado: Cultura Nipônica / Cinema/ Nerdices
Domingo: Livros/ indicações/ Opinião/ Contos ou crônicas

Enfim! É isso! O que acharam? Até
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[Conto] Transitação

Postado por Amanda Alboino às 19:34 0 comentários

Verde. Parou. Amarelo. Esperou. Vermelho. Seguiu. Um homem do outro lado da calçada lhe entregou um daqueles malditos panfletos. Ela amassou sem nem olhar. Já sabia do que se tratava. Recebera montes dele.

Os ventos frios de setembro arrastavam a poeira dos carros para seus olhos e levavam o calor de seu corpo. Olhos úmidos e mãos geladas. Verde. Dirigiu-se ao ponto de táxi. O dia já fora cansativo demais para pegar um coletivo. Amarelo. Pessoas ao redor gargalhando, sorrindo, tristes, enfadonhas. Odiava todas. Vermelho. A mente vagueando por lembranças do seu novo futuro.

Verde. O carro partiu pelas ruas infestadas de mal humor. O tempo tem essa mania de passar depressa só quando lhe convém. Amarelo. Era uma vez uma mulher feliz. Aí vieram as promessas e fudeu com tudo. Vermelho.

Em seu celular, mensagens subiam freneticamente para seu perfil. Na rádio, outra cantava suas angústias para o público aplaudir indiferente. As interpretações são sempre vazias de realidade. Verde. A maior parte das interpretações dela tinha, na verdade, um sentido completamente diferente do que julgara. Amarelo. Não se pode culpar alguém por ser burro, mas por ser ingênuo, sim. Vermelho.

Adele nos ouvidos. A noite só havia começado. Verde. Os outdoors sorriam, debochando. Queria queimar todos eles para tirá-los de seus olhos. Amarelo. Ele se estampava em suas idéias. Filho da mãe. Vermelho.

Foda-se a originalidade, foda-se a perfeição, fodam-se os aplausos. Aquilo nunca foi de verdade. Verde. O carro estacionou em frente a seu refúgio. Ela jogou umas notas para o motorista e desceu. Desceria ainda mais fundo se não achasse aquilo tudo ridículo. Tirou os sapatos para sentir o chão frio naquele calor que sentia por dentro e ligou o abajur. Amarelo. A secretária eletrônica piscava, indicando 5 novas mensagens. Ela apagou todas sem ouvir. Já ouvira tudo aquilo. Vermelho.

Foi para a cozinha preparar um chá enquanto pensava em seu próximo passo. Olhava, distraída, as folhas perdendo a cor para a água quente. Verde. Não imaginava que tudo terminaria desse jeito. A seu lado, na pia, cacos da garrafa de cerveja comemorada no dia anterior. Amarelo. O pedaço frio de vidro no pescoço foi mais rápido do que sua mente doentia. A cozinha agora estava infestada dela. Alguém ia ter que limpar depois. Vermelho.

Escrito por: Me
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[Zona Otaku] Sushi: culinária ou conservante?

Postado por Amanda Alboino às 19:28 0 comentários

Quando pensamos em comida japonesa, imediatamente nos vem à mente o sushi. E não é por acaso: a explicação da existência do sushi é a própria geografia do país.


O Japão é um país insular, ou seja, formado de ilhas. Não bastasse o pouco espaço para abrigar seus 120 milhões de habitantes, o território japonês ainda fica em uma área geológica bastante instável, o que acaba resultando na grande quantidade de montanhas e terremotos característicos do País. Por ser uma região inconstante e de solo pouco fértil, a agricultura e criação de animais sempre foram bastante limitadas, obrigando os japoneses a desenvolver a pesca e o cultivo do arroz, grão de fácil adaptação à terra.

Mas o arroz não era usado apenas para consumo. Na época em que não existia refrigerador para guardar a comida sem estragar, o arroz fermentado era usado como um tipo de conservante natural. As pessoas salgavam e enrolavam peixes crus e carnes no arroz, esperavam ele fermentar e guardavam o alimento para consumir pelos dias que se seguiam. Curioso, né? Com o passar dos séculos, esse modo de conservação tornou-se um método culinário e ainda hoje alguns restaurantes japoneses produzem esse tipo original de sushi, chamado de Nare-Sushi, que utiliza carpa, é embalado por vários meses até o seu consumo. O sushi mais parecido com o que conhecemos hoje, porém, só surgiu no início do século XIX, adaptado por um chef de cozinha nipônico, Hanaya Yohei, que resolveu acrescentar à receita, arroz fresquinho e temperado com vários tipos de recheio.

Contudo, foram a inspiração e a habilidade dos inúmeros sushimans, ao resolverem mesclar a culinária japonesa com as de outros países, que foram essenciais para o processo de popularização e consolidação do prato nipônico no mundo inteiro. 
Foto: Rodrigo Carvalho

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